Mendoza – Deguste e se apaixone

Mendoza eh uma cidade grande, com habitos de cidade pequena. O calor infernal que faz no verao faz com que o comercio feche as 12:00 para a Siesta, com as pessoas retornando ao trabalho apenas as 16:00, as vezes 17:00. Pelo menos os restaurantes ficam abertos na hora do almoco…

A cidade dorme e acorda sob os olhares da Cordilheira dos Andes, imponente de onde quer que seja vista. Uma rede de galerias fluviais distribui agua de degelo na cidade toda, garantindo uns graus a menos na temperatura ambiente, ajudada ainda pelas milhares de arvores que diminuem muito a incidencia de raios solares sobre as cabecas dos peatones.

A Grande Muralha

Deixamos a motos na concessionaria Honda (24 de fevereiro) para troca de oleo e revisao de itens basicos – filtro de ar, combustivel, nivel do fluido do radiador – e para que fossem lavadas, pois estava imundas, marcas dos mais de 3000 km rodados em apenas 4 dias.

Como estavamos no centro, aproveitamos para dar um tour pelas lojas, pela Plaza de Independencia e pela Peatonal, uma charmosa avenida transformada em calcadao cheia de bares e cafes que dao agua na boca.

Enquando nossas maquinas passavam no salao de beleza fomos a uma Bodega na Ruta 7 chamada Damajuana, que eh o nome que se da ao garrafao de vinho de 4,65 litros que se envasava antigamente em Mendoza.

2 Damajuanas

Bodega Damajuana

O lugar foi indicado por um vendedor de uma lojas de esportes, e quando chegamos ao local (mais ou menos 25 km do centro) pensamos ter caido no golpe do turista, pois era apenas uma loja de souvenires com uma boa oferta de garrafas de vinho.

Por dentro da Damajuana

Nao havia uma vinicola, como esperavamos, mas apenas uma loja. Meio sem jeito fomos recebidos pela dona do estabelecimento – Yolanda, a quem perguntamos se havia um tour. Sempre com bom humor ela nos conduziu atraves da loja, comentou sobre os produtos e quando estavamos certos de que o tempo estava sendo perdido ela abriu um portao de ferro e pediu para descermos uma escadaria.

Como um tesouro escondido, ela nos abriu as portas de uma adega subterranea, construida da forma tradicional de tijolos amarrados, sem estrutura que sustentasse o andar de cima.

Tesouro escondido

No final do corredor ela nos ofereceu uma degustacao de mostelas produzidas pelo seu irmao. Mostela eh um tipo de vinho licoroso ao qual nos tres nao estamos familiarizados. Para mim lembra vinhos licorosos baratos.

Bebendo na fonte

Mas o melhor ainda estava por vir. Pedimos para que a Dona Yolanda nos preparasse uma picada, uma especie de tabua de frios com Presunto Parma, Queijo, salame e pao produzidos artesanalmente e escolhemos uma garrafa de vinho na prateleira. Desta vez o selecionado foi o Cabernet Sauvignon Comendador de Viluco safra 2002. A escolha foi perfeita para acompanhar a picada, e a degustacao aconteceu na mesa da Adega subterranea, como se estivessemos em uma confraria de Baco. De sobremesa um delicioso cacho de uvas colhido horas antes.

Picada na Confraria

Apos nos acabarmos no pecado da gula, o marido da Dona Yolanda, Sr. Humberto gentilmente nos conduziu a Finca Don Bosco para uma visita guiada e exclusiva com a R.P. Vanessa. A Finca Don Bosco eh a vinicola mais antiga de Mendoza, e ainda conserva os toneis de carvalho e as garrafas mais antigas, que datam do final do seculo XIX. No meio de tanta historia, deixamos nossa marca no livro de visitas.

Finca Don Bosco - Salao Historico

Eh nois.

Ao voltarmos para a Honda, ocasionalmente encontramos 2 brasileiros que acabavam de chegar a Mendoza – Roberto e Celia, vindo diretamente do Atacama. Esse inesperado encontro nos proporcionou um jantar regado a muito vinho e a historias de motoqueiros no espetacular restaurante Las Negras (http://www.lasnegrasrestaurant.com.ar/), no bairro de Chacaras de Coria onde estavamos hospedados.

Las Negras

Desta vez cometemos quase uma heresia ao escolher um vinho da Patagonia em plena Mendoza, o Merlot Newen Patagonia, da Bodega del Fin del Mundo, mas a inesquecivel Cabernet Sauvignon que experimentamos em Puerto Madeiro ha um ano nos concedeu este direito.

Newen Patagonia

Infelizmente era a ultima garrafa, o que nos obrigou a voltar a carta de vinhos para a dificil tarefa de escolher. E o Rorneti, agora um expert em degustacao depois do tour na Don Bosco caprichou e pediu logo o Cabernet Sauvignon Alta Vista Premium safra de 2007, que estava entre os opcoes Reserva da carta.

Segunda garrafa da noite

Parece ate que eu nao entendo nada de vinhos, afinal eu sempre digo que sao otimos. Mas eh que eu nao entendo nada mesmo, e eles de fato sao otimos… Sao como Mendoza. Voce nao precisa entender, precisa degustar.

Leo

Links anteriores:

http://sombreros.wordpress.com/2009/03/01/3056-km-e-chegamos-a-mendoza/

http://sombreros.wordpress.com/2009/02/22/1640-km-ate-a-fronteira/

http://sombreros.wordpress.com/2009/02/15/de-malas-prontas/

5 Responses to “Mendoza – Deguste e se apaixone”

  1. que delícia. A rota do bifão vai ser a rota do garrafão.

    mande mais notícias…
    eu sei é fogo chegar procurar uma lan e ainda pensar em escrever mas é uma boa forma de não deixar as coisas passarem em branco e de quebra deixa a gente contente por saber que tudo está lindo como é.

    abraços
    Seo Craudio e Vera

  2. Sensacional, Leo.

    Já coloquei a rota de vocês na minha lista “to do”.

    Abraço!

  3. Leo,

    Carayyyyyyy… que viagem sensacional! Putz, um dia ainda vou ser gente grande e fazer uma dessas.
    Mas enquanto a minha hora não chega, vou curtindo a viagem dos amigos.
    Quero ver as fotos da estrada do caracol. SRR fica no chinelo!

    XDB,

    abs,

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